O universo das criptomoedas vive um momento de transição profunda no Brasil. Com as recentes resoluções do Banco Central, especialmente a Resolução BCB nº 521, o pseudonimato cede lugar a um mapa de vigilância financeira, em que cada transação entre corretoras e carteiras privadas será vinculada a um CPF. Essa mudança redefine a forma como usuários encaram a autonomia sobre seus ativos digitais.
Este artigo explora as obrigações, impactos e alternativas para preservar ao máximo sua privacidade, mesmo diante de um cenário regulatório em rápida evolução.
Em novembro de 2025, a Resolução BCB nº 521 determinou que as Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs) identifiquem os donos de carteiras de autocustódia sempre que houver saques ou depósitos, reportando essas informações mensalmente ao Banco Central.
Além dessa diretriz, outras normas complementares estabelecem um ambiente regulatório robusto:
O prazo de adequação é de nove meses, prazo em que as corretoras devem integrar seus sistemas ao mercado regulado e ao câmbio. Na esfera da Receita Federal, a Instrução Normativa RFB 2291/2025 (DeCripto) obriga a declaração de criptoativos no Imposto de Renda, com dados abertos até 8 de janeiro de 2026.
Para muitos entusiastas, o principal valor das criptomoedas está na pseudonimato em transações de corretoras e no controle direto dos ativos sem intermediários. Com a obrigatoriedade de informar CPF e endereço de carteira, surgem efeitos imediatos:
Essas medidas buscam combater fraudes e lavagem de dinheiro, mas também representam uma erosão significativa da privacidade individual.
Diante desse cenário, é essencial conhecer as opções e estratégias que permitem manter o máximo de anonimato possível, sem infringir as novas regras:
Cada estratégia apresenta vantagens e limitações. Por exemplo, privacy coins podem enfrentar restrições adicionais e menos liquidez em exchanges, enquanto o uso intensivo de P2P requer cuidado para evitar golpes.
O Brasil não está sozinho na busca por um equilíbrio entre inovação e segurança. Diversas jurisdições adotaram medidas similares ou contrastantes:
Enquanto o Brasil impõe um ponto de entrada devidamente monitorado nas transações, países como os EUA ainda discutem maior privacidade, refletindo diferentes prioridades entre segurança e liberdade financeira.
O debate filosófico entre descentralização e controle estatal ganha nova dimensão. Se, por um lado, a regulação aprimora a proteção contra fraudes e terrorismo financeiro, por outro, ela limita o potencial disruptivo das criptomoedas.
O futuro exige diálogo entre governos, desenvolvedores e comunidade para criar um ambiente que preserve separação de ativos de clientes e ainda respeite a autonomia individual.
Em última análise, cada usuário deve avaliar seu perfil de risco e decidir até que ponto estará disposto a abrir mão de sua privacidade em troca de segurança e conformidade.
Com clareza sobre as regras e conhecimento das alternativas, é possível navegar por esse novo panorama regulatório mantendo o espírito descentralizado que move as criptomoedas.
Referências