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O Preço da Ignorância: Custos Ocultos que Devoram Seus Rendimentos

O Preço da Ignorância: Custos Ocultos que Devoram Seus Rendimentos

30/01/2026 - 13:21
Yago Dias
O Preço da Ignorância: Custos Ocultos que Devoram Seus Rendimentos

Em um país onde o investimento em educação deveria ser prioridade, o Brasil convive com subfinanciamento crônico da educação pública, resultado de decisões políticas e reformas que limitaram o crescimento dos gastos. Essa realidade não apenas compromete a qualidade do ensino, mas também devora o potencial de milhares de jovens ao impedir o desenvolvimento de habilidades essenciais para o mercado de trabalho.

Subfinanciamento crônico da educação pública

Desde 2015, a participação dos gastos em educação no total das despesas do governo federal caiu de 11,2% para 10,6% em 2021, com uma redução média anual de 2,5%. Enquanto isso, a média da OCDE registrou crescimento de 2,1% ao ano. Esse contraste evidencia queda anual de investimentos desde 2015, agravada pela Emenda Constitucional 95, que estabeleceu um teto de gastos por 20 anos, e pelos impactos orçamentários da pandemia de COVID-19.

  • Ratificação da EC 95 em 2016, limitando novos investimentos.
  • Despesas totais passaram de R$ 452,7 bilhões em 2013 para R$ 390,6 bilhões em 2020.
  • Leve recuperação em 2022, atingindo R$ 490,1 bilhões, mas ainda insuficiente.

Comparações internacionais e lacunas de investimento

Os recursos por aluno no Brasil estão muito abaixo da média dos países desenvolvidos. Na educação básica, o gasto por aluno brasileiro é cerca de um terço do valor na OCDE. Este investimento por aluno abaixo da média impacta diretamente a infraestrutura escolar, a formação de professores e a disponibilidade de materiais pedagógicos.

Na comparação com países ricos, cada escola pública no Brasil recebe cerca de R$ 20,5 mil por ano, enquanto em Luxemburgo esse valor ultrapassa R$ 140 mil. Esse desnível explica em parte as deficiências de infraestrutura, com 7.912 escolas sem água potável e 6.363 sem rede de esgoto segundo o Censo Escolar de 2023.

Desigualdades e custos familiares no acesso

O subfinanciamento público estimula famílias de baixa e média renda a recorrerem à rede privada. No Brasil, 40% das matrículas em pré-escola e 20% no ensino fundamental são privadas, refletindo desigualdades que corroem oportunidades futuras. Além disso, 39% dos gastos educacionais em países emergentes vem de bolsos familiares, contra apenas 16% em nações de alta renda.

Durante a pandemia, despesas extras com uniformes e material escolar absorveram até 40% do orçamento de famílias em 15 economias de renda média e baixa, reforçando um ciclo de gastos que corrói rendimentos disponíveis para outras necessidades básicas.

Impactos econômicos diretos no rendimento

Quando a qualidade da educação é baixa, a produtividade futura dos trabalhadores tende a estagnar. Dados da OCDE mostram que o Brasil figura entre os países com menor rendimento por hora trabalhada, consequência de 90% das metas do PNE não cumpridas e insuficiência de educação profissionalizante.

Além disso, o sistema público de ensino superior, gratuito mas majoritariamente frequentado por filhos de famílias de maior renda, custa até três vezes mais por aluno do que as instituições privadas, segundo o Banco Mundial de 2017. Esse modelo gera impacto direto no rendimento familiar por meio de impostos elevados e baixa equivalência de retorno educacional.

Propostas e desafios para o futuro

  • Implementação do CAQ (Custo Aluno Qualidade) para garantir nível mínimo de investimento por estudante.
  • Revisão do PNE com meta de elevar gastos para 7% do PIB até 2031 e 10% até 2036.
  • Ampliação gradual de 0,5 ponto percentual do PIB ao ano em educação.
  • Uso do novo arcabouço fiscal para flexibilizar o teto de gastos, priorizando setores estratégicos.

É urgente adotar políticas que revertam o ciclo de pobreza educacional e promovam equidade de oportunidades. A mobilização da sociedade, o diálogo com especialistas e a pressão por maior transparência na execução orçamentária são essenciais para garantir que cada real investido em educação se traduza em benefício real para a economia e para cada cidadão.

Somente com uma educação de qualidade e financiamento adequado será possível reverter o quadro atual e assegurar que o conhecimento deixe de ser um privilégio para poucos e passe a ser motor de desenvolvimento social e econômico. O preço da ignorância é alto demais para quem deseja um futuro próspero. A hora de agir é agora.

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

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