Em um cenário econômico em constante transformação, as criptomoedas assumem um papel cada vez mais central no envio de valores além-fronteiras. Hoje, o Brasil registra um volume de R$ 8 bilhões em 2026 apenas em stablecoins, refletindo uma preferência crescente por soluções digitais eficientes e transparentes.
Enquanto operadores tradicionais de câmbio enfrentam críticas por custos elevados e processos burocráticos, novas tecnologias oferecem caminhos para reduzir tarifas, acelerar operações e fortalecer a inclusão financeira de milhões de brasileiros.
Historicamente, as remessas para o exterior e o recebimento de recursos no Brasil passaram a ser alvo de intensos tributos e taxas. Em 2026, o IOF sobre remessas para terceiros chega a IOF de 3,5%, um aumento de 821% em relação a cotações anteriores.
Os dados mostram que quase 8 milhões de brasileiros realizam operações cambiais por ano, contribuindo para uma arrecadação projetada de R$ 41 bilhões em 2026.
Além do peso tributário, a lentidão dos processos tradicionais gera atrasos que podem comprometer compromissos financeiros pessoais e comerciais, sobretudo em situações de emergência ou investimentos urgentes.
Em resposta a essas limitações, stablecoins -- criptomoedas atreladas a ativos reais -- emergem como alternativa. Com spreads de apenas 0,5% frente aos 4% dos bancos, plataformas como Wise e Remessa Online permitem economias de R$ 1.300 a R$ 2.700 em remessas de US$ 10.000.
Esse movimento reflete uma queda de custos de 40-60% mais baratos em comparação com métodos convencionais, mesmo levando em conta o IOF de 3,5%.
Além da economia, a velocidade das operações é quase instantânea, reduzindo o tempo de liquidação de dias para minutos e aumentando a previsibilidade financeira.
No início de fevereiro de 2026, o Banco Central passou a enquadrar operações com stablecoins e criptomoedas como Mercado de câmbio, exigindo licença para Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) e reforçando mecanismos de KYC, PLD e proteção de dados.
Apesar de ainda não haver alíquota específica para stablecoins, especula-se um IOF próximo de 3%, o que faria as transações mais caras, mas também mais seguras e transparentes.
Complementando essas medidas, a Receita Federal atualizou o IN RFB nº 2.291, adotando o padrão CARF da OCDE para troca automática de informações e incluindo empresas estrangeiras que atuam no Brasil sob a Lei 14.754/2023.
Enquanto o Brasil intensifica sua supervisão, outras regiões definem normas específicas para garantir reservas, liquidez e resgate imediato de stablecoins.
O uso de stablecoins traz vantagens claras, mas também exige cautela diante de riscos regulatórios e de segurança.
Por um lado, a digitalização melhora a inclusão financeira e acelera transferências. Por outro, diferenças normativas entre países podem gerar bloqueios ou sanções inesperadas, impactando fluxos de capital.
Para famílias que enviam recursos ao exterior, o impacto é imediato. Pais que transferem €1.500 por mês ao filho em Portugal podem economizar mais de R$ 3.200 ao ano, reduzindo o peso tributário e aumentando o poder de compra.
As fintechs especializadas aproveitam esses dados para oferecer planos sob medida, integrando APIs de câmbio e soluções de custódia que elevam o nível de serviço.
O próximo passo é a convergência entre stablecoins, CBDCs e sistemas bancários convencionais. Projetos de moeda digital de banco central, aliados à regulação cripto, podem criar um ecossistema unificado e seguro.
Ao mesmo tempo, propostas de IOF sobre criptomoedas avaliam taxas de 3,5%, com isenção até R$ 10 mil, o que pode equilibrar custo e benefício para pequenos investidores e fluxos familiares.
Com isso, espera-se que a adoção continue em ritmo acelerado, pressionando reguladores a manter um ambiente estável e competitivo.
Em suma, as criptomoedas representam hoje alternativa viável para remessas internacionais, unindo padronização e segurança jurídica com economia de custos e velocidade.
Apesar dos desafios regulatórios e da volatilidade política, a tendência é clara: quem incorporar essas ferramentas de forma responsável poderá transformar o modo como valores circulam globalmente, beneficiando famílias, empresas e toda a economia.
Referências