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IPO: Oportunidade de ouro ou bolha para o investidor?

IPO: Oportunidade de ouro ou bolha para o investidor?

09/02/2026 - 13:39
Matheus Moraes
IPO: Oportunidade de ouro ou bolha para o investidor?

O mercado de capitais brasileiro vive um paradoxo fascinante: enquanto o Ibovespa atinge recordes históricos, a janela de ofertas públicas de ações (IPOs) permanece cerrada há quase quatro anos. Esse contraste levanta dúvidas fundamentais sobre o real potencial de valorização de novas listagens e a saúde do ambiente de investimentos no país.

Este artigo propõe uma análise equilibrada entre oportunidades genuínas de investimento e os perigos de valuations excessivos, oferecendo recomendações práticas para investidores que desejam navegar neste cenário complexo.

Histórico e causas da seca de IPOs

No biênio de 2020-2021, o Brasil viveu um boom de 2020-2021, com mais de 70 empresas abrindo capital na B3. Em 2021, foram 47 estreias, impulsionadas por juros baixos e apetite global por ativos emergentes.

Entretanto, a trajetória mudou abruptamente. A Selic subiu de 2% para 15%, estabelecendo a principal barreira para IPOs. Ao mesmo tempo, 44 empresas realizaram ofertas públicas para cancelar capital (OPAs), como JBS e Carrefour Brasil, configurando o maior 'deserto' de IPOs em quase três décadas.

O cenário de 2026 e as perspectivas de retomada

Em 2025, o Ibovespa registrou alta de 30%, e logo no primeiro mês de 2026 acumulou +14%, saindo de 160 mil para 184 mil pontos. Esse movimento foi impulsionado por fluxo estrangeiro consistente em busca de emergentes, em paralelo à expectativa de cortes na Selic no primeiro trimestre.

Mais de 50 empresas já estão registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com 10 a 15 prontas para realizar IPO ou follow-on. Setores de infraestrutura estratégica, como saneamento e logística, tendem a liderar as primeiras ofertas do novo ciclo.

Riscos e desafios que podem impactar o mercado

  • Disciplina fiscal essencial: a expansão de gastos pode adiar cortes mais profundos na Selic e aumentar a volatilidade.
  • Volatilidade eleitoral elevada: anos de eleição presidencial costumam gerar incertezas e reduzir o apetite por novas emissões.
  • Juros altos persistentes: apesar da previsão de queda, uma Selic ainda em patamar elevado mantém cautela em fundos de ações.
  • Insegurança jurídica: proteção a acionistas minoritários insuficiente e regras pouco claras estimulam migração de empresas para bolsas estrangeiras.
  • Retornos negativos históricos: 27 das 47 IPOs de 2021 registraram performance abaixo do índice, alimentando ceticismo.

Estratégias práticas para investidores

Para aproveitar oportunidades e mitigar riscos, é fundamental adotar uma abordagem estruturada, combinando análise fundamentalista e diversificação.

  • Foque em empresas com governança sólida: priorize companhias com conselhos independentes e histórico de transparência.
  • Avalie setores resilientes: infraestrutura, saúde e tecnologia podem se beneficiar de tendências de longo prazo.
  • Use fundos de pré-IPO: instrumentos que atenuam o impacto da volatilidade inicial, espalhando o risco.
  • Balanceie com ativos defensivos: títulos indexados, fundos multimercado e segments de renda fixa ajudam a proteger o portfólio.
  • Adote análise de valuation conservadora: evite múltiplos muito altos em comparação a históricos e pares globais.

Dados numéricos e comparativos

Casos concretos e lições aprendidas

Empresas como PicPay e Agibank optaram pela Nasdaq e NYSE, refletindo migração para bolsas globais em busca de melhores valuations e liquidez. Já a Vittia, último IPO em 2021, ilustra os desafios de sustentação de preço em ambiente de juros altos.

O caso da Infracommerce, com queda de 99,98% desde o IPO, reforça a importância de avaliar não só o setor em crescimento mas também a sustentabilidade do modelo de negócios a longo prazo.

Conclusão: equilíbrio entre oportunidade e cautela

A retomada gradual dos IPOs no Brasil em 2026 ainda é um processo embrionário. A expectativa de cortes na Selic e o fluxo estrangeiro favorável podem catalisar as primeiras ofertas, especialmente nos setores de infraestrutura e tecnologia.

No entanto, manter disciplina fiscal e reduzir a volatilidade eleitoral serão fatores determinantes para a evolução do mercado. Investidores devem se posicionar de forma estruturada, priorizando empresas com governança robusta e múltiplos conservadores, equilibrando a carteira com ativos de menor risco.

Essa fase exige paciência e atenção redobrada, mas para quem se preparar antecipadamente, o momento pode representar uma oportunidade de ouro antes que o mercado retome plenamente seu ciclo de aberturas de capital.

Referências

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

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