Em um cenário econômico marcado por incertezas e volatilidade dos mercados, descobrir alternativas robustas e estáveis para alocar recursos torna-se essencial. Os precatórios surgem como uma opção singular, capaz de trazer retornos superiores à renda fixa e ainda oferecer diversificação.
Este artigo guia você pelos conceitos-chave, vantagens, riscos e estratégias para investir em precatórios com segurança e visão de longo prazo.
Precatórios são ordens de pagamento judicial emitidas por entes públicos para quitar dívidas reconhecidas em processos contra União, estados ou municípios. Após um processo judicial transitado em julgado, o valor devido entra em uma fila de pagamentos, obedecendo prazos legais que podem se estender por anos.
Existem categorias que determinam prioridade e limites de valor, fundamentais para quem busca informação antes de investir:
Para antecipar o recebimento, credores originais costumam vender precatórios com deságio atrativo de mercado, que varia entre 30% e 50%. O investidor compra a um preço descontado (por exemplo, adquire um título de R$ 100 por R$ 60) e espera o pagamento pelo ente público, acrescido de correção monetária pela Selic ou juros de mora.
Essa dinâmica gera uma composição híbrida de retorno, com parte pré-fixada (deságio) e parte pós-fixada (correção), criando uma poderosa proteção contra inflação alta e ganho real.
Modalidades de aquisição:
Compra direta via plataformas especializadas, hoje acessíveis a investidores que entendem a fila de pagamento. Também existem fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados (FIDC-NP), que exigem aportes maiores (a partir de R$ 250 mil) e são destinados a profissionais qualificados, sem cobertura do FGC.
Os precatórios podem apresentar rentabilidade anual superior a 15%, alcançando até 20%–30% ou mesmo 431% do CDI em situações mais vantajosas. Para efeito de comparação, o Tesouro Selic rendeu 10,70% (jan-nov/2024) e CDBs a 110% do CDI ficaram em torno de 10,38%.
No entanto, diferentemente da renda fixa tradicional, que tem prazo e retorno fixos, o cronograma de pagamento dos precatórios é estimado e pode sofrer atrasos por questões orçamentárias ou políticas.
Investir em precatórios oferece uma série de benefícios que podem se encaixar perfeitamente em uma carteira diversificada e de longo prazo, especialmente em cenários de juros elevados.
Apesar das vantagens, é crucial estar atento aos riscos inerentes a esse tipo de investimento, especialmente para quem não se sente confortável com prazos longos e liquidez reduzida.
Para mitigar essas ameaças, estude a fila de pagamento, avalie a credibilidade do emissor e projete cenários alternativos de fluxo de caixa.
Uma abordagem inteligente combina análise criteriosa de cada título com gestão ativa de portfólio. Seguem algumas recomendações práticas:
1. Diversificação estratégica: distribua recursos em precatórios de diferentes estados ou municípios, reduzindo o impacto de eventuais atrasos isolados.
2. Análise de fila: acompanhe relatórios judiciais e históricos de pagamento para estimar melhor o tempo de recebimento.
3. Planejamento tributário: aproveite isenções de IR para ganhos abaixo de R$ 35 mil mensais e enquadre corretamente no imposto de renda para evitar surpresas.
4. Uso de plataformas confiáveis: conte com empresas especializadas que ofereçam transparência em taxas, prazos e estrutura de mercado.
Investir em precatórios é um convite a olhar além da renda fixa tradicional e abraçar uma opção que combina rentabilidade elevada, segurança jurídica e proteção contra a inflação. Embora envolva riscos de prazo e liquidez, a estratégia correta e o conhecimento profundo do mercado podem transformar precatórios em uma peça valiosa no seu portfólio.
Ao integrar essa alternativa de forma planejada, você não apenas amplia oportunidades de ganhos, mas também fortalece sua visão de longo prazo, navegando com confiança pelos desafios do mercado financeiro.
Referências