Nos últimos anos, o ouro voltou ao centro das atenções de investidores em todo o mundo. Em meio a crises políticas, pressões inflacionárias e oscilações cambiais, esse metal precioso recuperou seu estatuto de referência. Mais do que um ativo de colecionador ou joalheria, o ouro é visto como um porto seguro em momentos voláteis e uma proteção contra a erosão do poder de compra.
Este artigo traz um panorama completo para quem deseja compreender a dinâmica recente do mercado, os fatores macroeconômicos impulsionadores, a análise técnica, as previsões de preço e as melhores estratégias para investidores brasileiros.
Historicamente, o ouro provou sua força nos períodos de crise. Durante recessões, conflitos geopolíticos e ciclos de aperto monetário, sua cotação tende a subir. No início de 2026, o metal registrou alta de 17%, ultrapassando os US$ 5.000 por onça troy pela primeira vez em mais de uma década.
Nesse movimento, vimos uma migração de investidores para metais preciosos, alimentada pela percepção de que títulos públicos e ações apresentavam riscos maiores diante do cenário global. A alta demanda reforça o papel do ouro como reserva de valor comprovada e elemento de diversificação.
Vários gatilhos explicam o desempenho robusto do ouro desde meados de 2025:
Esses fatores interconectados criam um ambiente de suporte estrutural para o ouro, tornando-o atraente não apenas como proteção temporária, mas como componente estratégico de longo prazo.
O movimento não se limita a investidores institucionais. ETFs de ouro registraram entradas diárias recordes, chegando a mais de 12 toneladas por dia. O acesso digital facilitou compras de varejistas ao redor do globo, ampliando as bases de demanda.
As carteiras institucionais elevaram o peso do ouro de tático para estrutural, com 70% dos gestores previstos para aumentar exposição até o fim de 2026. Esse reposicionamento consolida o metal como ativo central, não apenas um hedge temporário.
Em 5 de fevereiro de 2026, o ouro fechou perto de US$ 4.737/oz, registrando uma queda diária de 4,59%, mas ainda acumulando alta de 5,36% no mês. Chartistas identificaram o padrão de "Três Soldados Brancos" entre US$ 4.551 e US$ 5.144, sugerindo pressão compradora de médio prazo.
O indicador MACD permanece positivo, embora o RSI mostre sobrecompra com divergência, sinalizando possíveis correções. Os principais suportes técnicos se situam em US$ 4.834, US$ 4.552 e US$ 4.278. Por outro lado, resistências relevantes estão em US$ 5.144, US$ 5.383 e US$ 5.586.
O consenso dos maiores bancos e casas de análise aponta para alta. No entanto, há cenários distintos, dependendo da evolução fiscal e geopolítica global.
Em cenários otimistas, projeções de longo prazo sugerem até US$ 13.498 em 2027 e ultrapassagem de US$ 20.000 por onça até 2030, impulsionadas por demanda de bancos centrais e persistentes riscos cambiais.
Apesar do viés altista, certos gatilhos podem provocar retrações:
Em tais cenários, o ouro pode recuar próximo a US$ 4.000/oz antes de retomar a trajetória de alta.
No Brasil, o ambiente de juros baixos e dólar fraco torna a oportunidade ainda mais atraente. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o metal local subiu 5,02%, contrastando com a volatilidade do mercado acionário.
Para o investidor nacional, recomenda-se:
Com disciplina e visão de longo prazo, o ouro pode reforçar a resiliência de carteiras, protegendo patrimônio contra cenários adversos.
Em síntese, o ouro se mantém como refúgio atemporal em carteiras diversificadas, ancorado em fundamentos sólidos e tendências de mercado claras. Ao compreender os fatores de alta, as nuances técnicas e as projeções de preço, o investidor pode posicionar-se de forma estratégica e colher os benefícios de uma alocação equilibrada neste metal milenar.
Referências