Embora a bolsa brasileira tenha apresentado forte otimismo, explorar mercados externos pode ser decisivo para quem busca proteção contra riscos locais e acesso a oportunidades globais.
Em 2025, a B3 movimentou R$ 2,8 trilhões em ações à vista, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto bateu recorde de R$ 20 bilhões de entrada líquida. Em janeiro de 2026, o volume somou R$ 7,3 bilhões. Ainda assim, dados do JP Morgan apontam que a alocação em emergentes, hoje em 5,3%, pode subir para 6,7% em 2026, representando até US$ 25 bilhões em aportes.
Esses números mostram o interesse crescente no Brasil. Entretanto, investir somente por aqui significa renunciar a mais de 99% do mercado global de ações.
Em termos de diversificação, o Brasil representa menos de 1% do universo global, enquanto dívida local é 2%. Em cenários de crise política ou alta da inflação, a exposição exclusiva ao real pode corroer ganhos e reduzir poder de compra.
Investir fora do país traz benefícios que vão além da simples troca de moedas. A combinação de setores, liquidez e tendências tecnológicas permite posicionar seu portfólio de forma robusta e resiliente.
Essa tabela mostra como cada vantagem se traduz em maior segurança e potencial de retorno para o investidor.
Embora os benefícios sejam claros, é fundamental entender os principais riscos:
Volatilidade cambial: as flutuações do câmbio podem gerar ganhos ou perdas ao converter resultados para reais. Uma estratégia de longo prazo tende a diluir esse efeito.
Custos e tributação: corretagem, spreads e declaração de impostos no exterior podem ser mais complexos. Planejamento tributário e uso de plataformas com taxas competitivas ajudam a reduzir o impacto.
Tensão geopolítica: disputas comerciais e alterações regulatórias podem afetar determinados setores. Monitorar relatórios de análises e diversificar entre regiões mitiga riscos pontuais.
Governança e cultura de mercado: investigar normas de cada país e qualidade de governança corporativa é crucial antes de investir.
O cenário internacional parece favorável: cortes de juros pelo Fed podem impulsionar ações globais, enquanto a inflação nos EUA mostra sinais de controle.
No Brasil, espera-se que o Ibovespa alcance 200 mil pontos se os juros reais permanecerem ao redor de 5,5%. Em 2025, o índice subiu 30%, apoiado por resultados de empresas como Vale (volume de R$ 197,7 bilhões na B3), Petrobras (R$ 154 bilhões) e bancos como Itaú (R$ 130,6 bilhões).
Em âmbito global, analistas do BTG apontam que mais de 45% de retorno pode ser alcançado em carteiras bem selecionadas de ações em 2025, enquanto fundos de renda variável superaram 13%.
Para estruturar sua carteira em 2026, considere:
Além disso, equilibre entre ações internacionais e papéis locais de qualidade, aproveitando oportunidades táticas em setores de varejo e consumo conforme a redução de juros no Brasil.
Monitorar commodities também faz parte de uma alocação inteligente: empresas como Vale e Petrobras influenciam diretamente o Ibovespa e podem servir como hedge natural.
Finalmente, mantenha-se informado sobre cenários políticos e regulatórios em cada região. Uma postura proativa, aliada a análises fundamentadas de mercado, será a base para decisões mais seguras e rentáveis.
Em resumo, investir em ações internacionais não é apenas buscar novos ganhos: é construir um portfólio mais resiliente, diversificado e preparado para os desafios e oportunidades do mundo.
Referências