O universo das finanças descentralizadas (DeFi) revolucionou a forma como interagimos com ativos digitais. Ao fornecer liquidez a pools, usuários se tornam market makers e ganham taxas de negociação, mas também expõem seus ativos a riscos únicos.
Um desses riscos é o chamado Impermanent Loss, uma perda temporária de valor que pode corroer parte dos ganhos obtidos por meio de yield farming e AMMs.
O termo Impermanent Loss (IL) descreve a variação negativa no valor de um par de tokens depositados em um pool comparado ao simples HODL. Essa perda ocorre devido ao reequilíbrio automático promovido pela fórmula de produto constante (x·y = k).
O conceito foi popularizado em 2020 com o crescimento explosivo da Uniswap e de outros protocolos AMM, quando usuários começaram a notar discrepâncias entre o valor em pool e o valor mantendo os tokens em uma carteira.
Em um pool típico 50/50, o AMM ajusta as quantidades de cada token em resposta a arbitragens. Se o preço de um ativo sobe ou desce, o contrato inteligente vende ou compra o outro para manter k constante.
Por exemplo, Alice deposita 1 ETH e 100 USDC (1 ETH = 100 USDC). Se o ETH subir para 200 USDC, ao retirar ela terá aproximadamente 0,707 ETH e 141,42 USDC, totalizando US$282, em vez de US$400 se tivesse apenas segurado os ativos.
Essa dinâmica de reequilíbrio constante gera exposição maior ao token que perde valor, ampliando a IL se o preço continuar divergindo.
Para mensurar a perda, utilizamos a equação IL = (2√r)/(1+r) − 1, onde r é a razão entre preço final e inicial do ativo. Comparando o valor do pool com a estratégia de hold, obtém-se a porcentagem de IL.
Ferramentas como calculadoras de IL disponíveis em plataformas como CoinGecko auxiliam provedores de liquidez a estimar perdas esperadas ao inserir preços iniciais e finais de cada token.
Entender as variáveis que afetam a IL é fundamental para alinhar riscos e potencial de retorno:
Quanto maior a oscilação entre os tokens, mais acentuada tende a ser a perda impermanente.
Embora não seja possível eliminar totalmente a IL em AMMs clássicos, algumas práticas podem reduzir seu impacto:
Além disso, protocólos como Bancor e Curve desenvolveram curvas de liquidez que reduzem a exposição ao risco típico de pools 50/50.
Os Automated Market Makers democratizam o market making ao permitir que qualquer usuário seja um LP, fornecendo profundidade de mercado sem intermediários.
Apesar do risco de IL, esses protocolos geram milhares de milhões de dólares em volume diário. Taxas de negociação, normalmente em torno de 0,3%, e recompensas adicionais podem superar as perdas em cenários de volatilidade moderada.
O futuro do DeFi trará inovações em modelos de liquidez, oráculos de preços mais precisos e seguros personalizados, tornando cada vez mais equilibrada a relação entre retorno potencial e riscos.
Referências