O universo financeiro brasileiro vive um momento histórico ao combinar a força das criptomoedas com o modelo de crowdfunding. Essa revolução promete democratizar o acesso ao capital e reconfigurar o mercado de capitais, oferecendo uma inovação regulatória que transforma oportunidades para empreendedores, investidores e agentes do mercado.
Em 2022, a CVM instituiu a Resolução 88, criando as bases para o crowdfunding de investimentos em empresas de pequeno porte. Em 2023, a tokenização de valores mobiliários foi oficialmente reconhecida, mas ainda com limites que restringem o potencial do mercado. Hoje, a nova consulta pública SDM 5/2025 propõe uma Resolução inédita de crowdfunding tokenizado, garantindo clareza jurídica e ampliando o escopo para sociedades empresárias, securitizadoras, cooperativas e produtores rurais.
Essa iniciativa tem à frente executivos como Cynthia Braga e Antonio Berwanger, que destacam o compromisso de estimular o desenvolvimento e modernizar o regime de crowdfunding. Otto Lobo, presidente interino da CVM, reforça que a proposta alinha a regulação ao propósito de fortalecer o mercado e gerar impacto positivo na economia brasileira.
Entre as mudanças mais aguardadas, os limites de captação sobem de R$ 15 milhões para patamares que viabilizam operações de maior escala. A eliminação do limite de faturamento anterior abre espaço para ofertas mais robustas.
Essa ampliação significativa de emissões tokenizadas cria novas janelas para captação, favorecendo empresas em fase de expansão e projetos rurais. Para empreendedores, o momento é ideal para planejar ofertas com foco em transparência, governança e atração de investidores de impacto.
A tokenização de ativos reais e recebíveis se consolida como uma alternativa para reduzir custos e aumentar eficiência. Segundo o estudo Project Aurora, é possível alcançar uma redução de custos operacionais em até 38% ao automatizar processos, consolidar registros e eliminar intermediários desnecessários.
No cenário global, o mercado de crédito privado já ultrapassa US$ 2 trilhões. O Brasil se posiciona para crescer, apoiado na convergência entre duplicata escritural, inteligência artificial e ativos digitais. A duplicata escritural, em fase de testes finais, será a espinha dorsal para organizar o lastro do crédito e garantir segurança jurídica.
Apesar das oportunidades, o novo regime traz exigências que podem limitar iniciativas menores. A obrigação de registro de securitizadoras e a contratação de agentes fiduciários aumentam custos fixos e complexidade. Além disso, as normas do Banco Central para criptomoedas, em vigor desde fevereiro de 2026, impõem requisitos de capital e governança semelhantes aos bancos tradicionais, o que pode afastar startups de menor porte.
Para contornar esses entraves, é essencial adotar estratégias sólidas de conformidade e parceria:
O caminho para quem deseja aproveitar essa nova fronteira passa por quatro etapas fundamentais:
Empreendedores que seguirem esse roteiro terão mais chances de sucesso, atraindo recursos diversificados e construindo confiança junto ao mercado de capitais. Investidores, por sua vez, ganham acesso a ativos antes restritos, com potencial de retorno alinhado a projetos inovadores e de impacto social.
Ao unir a força das criptomoedas ao crowdfunding, o Brasil avança rumo a um modelo financeiro mais distribuído e acessível a todos. Pequenos produtores rurais, startups de tecnologia e cooperativas poderão financiar seus sonhos e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento regional.
Esta nova era convida cada agente do ecossistema a colaborar: reguladores devem trabalhar em sintonia com o mercado, plataformas precisam aperfeiçoar sistemas e investidores devem buscar projetos éticos e transparentes. Juntos, podemos construir uma fronteira de financiamento que impulsione o crescimento sustentável e gere valor real para o país.
O futuro do crowdfunding em criptomoedas já começou. Aproveite essa onda de inovação, prepare sua operação com cuidado regulatório e torne-se protagonista dessa transformação.
Referências