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Cripto e as Moedas Nacionais: Qual Será o Vencedor?

Cripto e as Moedas Nacionais: Qual Será o Vencedor?

01/02/2026 - 15:47
Giovanni Medeiros
Cripto e as Moedas Nacionais: Qual Será o Vencedor?

Com o Bitcoin cotado a US$ 89 mil e o real cada vez mais desvalorizado, surge a pergunta: quem sairá na frente nessa corrida financeira? À medida que o Banco Central do Brasil implementa novas regras em fevereiro de 2026, o embate entre ativos digitais e moedas fiduciárias ganha contornos mais definidos.

Este debate não é exclusivo ao Brasil: o dólar e o euro também enfrentam pressões diante da evolução das criptomoedas. Entender as forças em jogo exige olhar para tecnologia, regulação, adoção institucional e projeções para o futuro.

Regulamentação no Brasil: o Novo Ringue Financeiro

A partir de 2 de fevereiro de 2026, o Banco Central equiparou operações internacionais com cripto ao câmbio tradicional. Agora, cada transação está limitada a US$ 100 mil, com identificação obrigatória dos donos de carteiras virtuais e fiscalização via SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais).

As exchanges precisam de autorização do BC e as stablecoins passaram a ser tratadas como operações cambiais. Segundo Gilneu Vivan, diretor do BC, este arcabouço “oferece um nível de segurança maior e combate efetivo à lavagem de dinheiro via Coaf”.

O limite mensal para relatórios de operações fora de exchanges brasileiras subiu de R$ 30 mil para R$ 35 mil para pessoas físicas e jurídicas residentes. Métodos de avaliação de criptoativos foram padronizados, adotando hierarquia de valor justo e conversão via dólar.

Vantagens das Criptomoedas sobre Moedas Fiduciárias

Enquanto as moedas nacionais são emitidas por bancos centrais e têm curso forçado, as criptomoedas oferecem características únicas:

  • Descentralização completa, sem controle de uma única entidade.
  • Portabilidade e aceitação global, sem barreiras de fronteira.
  • Integração com DeFi e protocolos programáveis.
  • Escalabilidade e custos reduzidos em redes como Solana e Ethereum.

Atualmente, a Ethereum lidera o DeFi com TVL de US$ 71 bilhões, seguida pela Solana com US$ 10 bilhões. Esses números contrastam com a baixa aceitação internacional do real, limitada aos países do Mercosul.

Stablecoins: Ponte ou Ameaça ao Sistema Tradicional?

Projetadas para liquidação global, stablecoins se conectam a redes de pagamento como Visa e Stripe. Monica Long, executiva da Ripple, afirma que “as stablecoins servem como base fundamental para a transição das finanças tradicionais ao mundo onchain”.

Espera-se que haja US$ 1 trilhão em ativos digitais nos balanços corporativos até o fim de 2026, com 50% das Fortune 500 adotando estratégias que incluem tesourarias digitais e títulos onchain.

Adoção Institucional e Tokenização: Multiplicadores de Força

O interesse institucional impulsiona ETFs de Bitcoin e migrações de liquidações de mercados de capitais para onchain. As projeções apontam que 5–10% dessas liquidações ocorrerão por meio de tokenização e stablecoins.

  • Mais da metade dos 50 maiores bancos mundiais formalizará custódia cripto em 2026.
  • Fusões e aquisições em custódia atingiram US$ 8,6 bilhões em 2025.
  • Estimativas indicam um crescimento acelerado no uso de tokenização de ativos reais.

Esse movimento é alimentado por estímulos fiscais, flexibilização monetária e um framework regulatório claro, fatores que favorecem projetos DeFi sensíveis à liquidez.

Riscos e Defesas das Moedas Nacionais

Apesar dos avanços cripto, as moedas fiduciárias mantêm pontos fortes:

  • Monopólio emissor que garante estabilidade e controle sobre a política monetária.
  • Framework de segurança regulado, com KYC/Coaf para prevenir fraudes.
  • Curso forçado que consolida a aceitação interna e tributação.

Por outro lado, o setor cripto registrou 200 ataques hackers em 2025, com perdas de US$ 2,935 bilhões, sendo o Ethereum o mais afetado. A nova regulação brasileira aumenta custos operacionais, exigindo rastreabilidade e declarações detalhadas.

Perspectivas para 2026: um Cenário Híbrido?

Os dados apontam para um futuro híbrido e colaborativo. Por um lado, criptomoedas devem seguir ganhando espaço graças a inovações em DeFi, IA para trading e tokenização de ativos. Por outro, o real, dólar e euro preservarão seu papel central em economias reais.

No Brasil, a nova geração de traders educados e a exigência de sociedades locais por parte das exchanges criam um ambiente de maior profissionalização. O equilíbrio entre segurança e inovação será o grande desafio.

Em vez de declarar um vencedor definitivo, é provável que coexistam múltiplos sistemas financeiros, cada um atendendo necessidades específicas. A chave para investidores e reguladores será manter o diálogo aberto, adaptando políticas a um mercado em constante evolução.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

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