O conceito de tokenização de ativos vem ganhando força e promete remodelar o panorama financeiro global, abrindo portas para um futuro mais inclusivo e transparente.
A tokenização de ativos digitais é o processo de converter ativos do mundo físico em registros digitais seguros na blockchain. Essa inovação permite fracionar bens valiosos, como imóveis de alto padrão, commodities essenciais e títulos de dívida empresariais, em unidades acessíveis a um público amplo.
Com isso, investidores de diferentes portes podem diversificar carteiras, alocando recursos de forma mais equilibrada. Ao conectar o universo das stablecoins aos mercados de capitais, abre-se um cenário de eficiência, transparência e liquidez, com menor burocracia e custos operacionais.
O mercado global de ativos tokenizados, excluindo stablecoins, atingiu cerca de US$ 36 bilhões em janeiro de 2026. Estudos revelam que esse valor pode saltar para US$ 400 bilhões até o fim de 2026, impulsionado pelo interesse de instituições financeiras e investidores de varejo.
Adicionalmente, as stablecoins, conhecidas também como “criptodólares”, ampliaram seu valor de mercado de US$ 295 bilhões para projeções de US$ 500 bilhões em 2026, com potencial de alcançar US$ 4 trilhões até 2030. Esse crescimento reflete a confiança crescente em ativos digitais como instrumentos de reserva e liquidez.
Instituições como BlackRock, Citi e JPMorgan lideram projetos-piloto, enquanto exchanges globais testam a emissão de títulos tokenizados, atraindo volumes inéditos em tradicionais bolsas de valores.
O Brasil se destaca por seu ambiente regulatório avançado. A Lei 14.478/2022 definiu o Marco Legal dos Criptoativos, trazendo segurança jurídica para prestadores de serviços e investidores.
Apesar dos avanços, há lacunas, especialmente na publicidade registral de tokens de bens móveis. A proposta de usar o RTD (Registro de Títulos e Documentos) visa integrar a segurança dos registros tradicionais com as possibilidades da blockchain sem criar novas leis.
Projetos brasileiros evidenciam a aplicação real da tokenização, servindo de modelo para o mundo.
Além disso, o Drex tem sido utilizado para testar pagamentos instantâneos e liquidações automatizadas, mostrando a viabilidade de redes centralizadas integradas a blockchains públicas.
A adoção ampliada da tokenização de ativos apresenta benefícios concretos para todos os participantes do mercado.
Para empresas, isso representa arquivos contábeis mais limpos e menor exposição a riscos de crédito. Reguladores, por sua vez, passam a contar com relatórios em tempo real que facilitam a supervisão e a prevenção a fraudes.
Mesmo com um cenário promissor, existem barreiras a serem superadas. As principais incluem:
1. Lacunas jurídicas: a legislação ainda precisa evoluir para tratar execução e penhora de tokens de forma clara.
2. Interoperabilidade técnica: é fundamental criar pontes seguras entre diferentes blockchains e sistemas financeiros legados.
3. Adoção institucional: bancos e grandes players exigem garantias robustas antes de migrar processos críticos.
Para contornar esses obstáculos, é preciso fomentar padrões abertos, promover iniciativas de certificação e ampliar sandboxes regulatórios. A experiência adquirida com o GT Tokenização e com o Sandbox da CVM gera conhecimento valioso para moldar práticas internacionais.
A perspectiva para 2030 é audaciosa. Imaginar um mercado financeiro onde todas as classes de ativos estejam tokenizadas e disponíveis 24/7 deixa de ser utopia. Previdência, seguros, crédito e até mesmo instrumentos provisórios podem ser emitidos e negociados em plataformas blockchain de forma eficiente.
Associações entre stablecoins, inteligência artificial e oráculos de mercado tornarão as operações mais seguras e previsíveis. Contratos inteligentes acionarão liquidações automaticamente ao atingirem condições pré-definidas, reduzindo riscos e aumentando a confiança dos investidores.
Jovens profissionais, empreendedores e investidores de varejo terão oportunidades inéditas de participar de projetos antes restritos a grandes fundos. O acesso simplificado democratiza o capital, gera inovação e impulsiona o desenvolvimento econômico de países emergentes.
Em resumo, estamos diante de uma transformação sistêmica profunda e abrangente, capaz de redefinir o funcionamento dos mercados e de criar formas inéditas de valor.
Agora é o momento de se informar, experimentar plataformas de tokenização e compreender como essa revolução pode impactar seu patrimônio ou sua instituição. Afinal, os primeiros passos rumo ao futuro começam com a decisão de participar dessa jornada transformadora.
Referências